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Muito se fala sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na atualidade, quiçá até demais. O problema é que, muitas vezes, fala-se do TDAH como se houvesse um único modo de existir.
Há diferentes apresentações e perfis, e cada sujeito vivencia sua relação com a atenção, a impulsividade, a motivação e a própria energia psíquica de maneira singular.
Também é importante não confundir experiências distintas que, por vezes, aparecem sob a mesma aparência de desânimo. Abatimento, depressão e exaustão mental podem se aproximar na forma como são percebidos, mas não são necessariamente a mesma coisa.
O abatimento pode ser uma queda passageira de disposição, uma redução momentânea da iniciativa ou uma resposta a frustrações, sobrecarga, conflitos e dificuldades acumuladas. Pode surgir depois de um dia exigente e não implica, por si só, a presença de um quadro depressivo. Em algumas situações, o sujeito se sente sem energia para começar ou concluir tarefas, mas essa condição pode se modificar com descanso, acolhimento, mudança de contexto ou retomada de atividades significativas.
A depressão, por sua vez, envolve um sofrimento mais amplo e persistente, que pode afetar o humor, o interesse, o prazer, o sono, o apetite, a autoestima e a percepção de futuro. Nem toda pessoa deprimida apresenta os mesmos sinais, e nem todo desânimo deve ser interpretado dessa maneira. A identificação do que está acontecendo exige atenção à duração, à intensidade, à recorrência e ao impacto da experiência na vida cotidiana, além de uma avaliação profissional quando necessário.
Já a exaustão mental no TDAH pode estar relacionada ao esforço contínuo de organizar o pensamento, sustentar a atenção, iniciar tarefas, alternar entre demandas, conter impulsos, lidar com esquecimentos e compensar dificuldades executivas. Muitas vezes, não se trata de falta de vontade, mas do custo psíquico de realizar tarefas que, para outras pessoas, podem exigir menos esforço consciente.
Esse esforço pode se acumular ao longo do dia. A pessoa pode conseguir funcionar em determinados períodos, especialmente quando há urgência, interesse ou estímulo intenso, e depois experimentar uma queda acentuada de energia. Pode haver irritabilidade, dificuldade de pensar, sensação de mente saturada, necessidade de isolamento, procrastinação ou incapacidade temporária de iniciar até mesmo atividades desejadas.
Essa oscilação pode ser confundida com preguiça, desinteresse ou depressão. Entretanto, a exaustão mental tende a estar mais diretamente ligada à sobrecarga cognitiva e à necessidade de autorregulação constante. Isso não significa que uma pessoa com TDAH não possa também vivenciar depressão. As experiências podem coexistir, alternar-se ou influenciar-se mutuamente.
Por isso, é importante observar o contexto. O abatimento aparece depois de uma exigência específica ou permanece mesmo quando há descanso? A perda de interesse é localizada ou alcança quase todas as áreas da vida? A dificuldade está principalmente em iniciar e organizar tarefas, ou existe também uma sensação persistente de vazio, desesperança e sofrimento? Essas perguntas não substituem uma avaliação clínica, mas ajudam a construir uma compreensão menos apressada.
Nem todo abatimento é depressão. Em algumas pessoas com TDAH, o que aparece como desânimo pode ser, antes, o efeito de uma intensa exaustão mental: o esgotamento produzido pelo esforço contínuo de organizar, sustentar a atenção, conter impulsos e responder às exigências da realidade.
Compreender essa diferença é fundamental. Porque, por trás do mesmo diagnóstico, existem sujeitos muito diferentes — e o diagnóstico não esgota a singularidade de nenhum deles. Nomear cuidadosamente o que se sente pode abrir espaço para formas mais adequadas de cuidado, sem reduzir a experiência a uma explicação única ou fazer afirmações clínicas precipitadas.
Autora: Luzziane Soprani
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