INTRODUÇÃO

O termo Narcisista maligno é usado para caracterizar a manifestação mais extrema do Transtorno de Personalidade Narcisista. O narcisismo, como os demais transtornos de personalidade, é identificado ao longo de uma contínua observação dos atos de um sujeito, ou seja, caracterizando o transtorno de “normal” – baixa intensidade – a “patológico e maligno” – de alta intensidade. Quanto mais traços narcisistas, maior a proximidade do extremo patológico. Portanto, é possível comparar narcisistas e/ou julgar um sujeito narcisista em particular, por exemplo, como “narcisista de baixa intensidade” e/ou “intensamente narcisista” com uma “conduta perigosa” em relação a outra. Contudo, nenhum narcisista se destaca com tanta facilidade em relação o narcisista maligno. O narcisista maligno não possui apenas um transtorno de personalidade, mas dois: o narcisista e o antissocial. A desestruturação de sua personalidade é tão grande e sua falta de empatia tão extrema que exibe comportamentos condizentes com a psicopatia.

Caracteriza-se por uma acentuada debilidade dos sentimentos sociais que pode resultar da ignorância das normas éticas habituais, das exageradas tendências instintivas anti-sociais, da incapacidade de compreensão das obrigações morais. Nos casos de personalidade maligna, a inteligência quanto mais desenvolvida, mais grave torna o caso, porquanto ela é, então, utilizada para mascarar melhor os atos amorais.

PERSONALIDADES PERVERSAS

K. Eissler, no final da década de 40, considerava os psicopatas como indivíduos com ausência de sentimentos de culpa e da ansiedade normal, superficialidade de objetivos de vida e extremo egocentrismo.

Os irmãos Mc Cord, em 1956, descrevem sua “síndrome psicopática” com as seguintes características: Escasso ou nenhum sentimento de culpa, capacidade de amar muito prejudicada, graves alterações na conduta social, impulsividade e agressão.

Autores psicanalíticos consideram a Psicopatia como uma grave patologia do Superego como sendo uma síndrome de Narcisismo Maligno, cujas características seriam a conduta anti-social, agressão ego-sintônica dirigida contra outros em forma de sadismo.


Cleckley, estabeleceu, em “A máscara da saúde”, alguns critérios para o diagnóstico do psicopata, em 1976, Hare, Hart e Harpur, completaram esses critérios.

CARACTERÍSTICAS

Egocentrismo patológico; Autovalorização e arrogância; Irresponsabilidade;
Encanto superficial; Inteligência acima da média; Loquacidade; Impulsividade e ausência de sentimentos; Autocontrole; Geralmente não tem tem episódios de alucinações, delírios e/ou manifestações neuróticas; Falta de capacidade para aprender com a experiências vividas; Manipulação do outro com recursos enganosos;
Falta de sentimentos de culpa e de vergonha; Mentiras e insinceridade
Conduta anti-social sem aparente arrependimento; Indigno de confiança, Falta de empatia nas relações pessoais; Incapacidade para seguir qualquer plano de vida; Incapacidade de amar.

DA ESTRUTURA

A estrutura de tipo narcisística do psicopata teria a seguintes características:auto-referência excessiva, grandiosidade, tendência à superioridade exibicionismo, dependência excessiva da admiração por parte dos outros, superficialidade emocional
Portanto, dentro das relações de objeto (com os outros), seria intensa a rivalidade e inveja, consciente e/ou inconscientemente, refletidos na contínua tendência para exploração do outro, incapacidade de depender de outros, falta de empatia com para com outros, falta de compromisso interno em outras relações.

Otto Kemberg vê neste narcisismo patológico um componente psicodinâmico para o diagnóstico da psicopatia. Diagnóstico Narcisismo Maligno :

A Síndrome do Narcisismo Maligno, representando o Psicopata cuja eventual causa da sociopatia seria fruto do meio e de elementos psicodinâmicos. Aqui a conduta anti-social tem origem no Narcisismo Maligno, há incapacidade em estabelecer relações que não sejam exploradoras, não existe capacidade de identificar valores morais, não existe capacidade de compromisso com os outros e não há sentimentos de culpa;

SINTOMAS PRINCÍPAIS

1. – Encanto superficial e manipulação
Nem todos psicopatas são encantadores, mas é expressivo o grupo deles que utilizam o encanto pessoal e, conseqüentemente capacidade de manipulação de pessoas, como meio de sobrevivência social. Através do encanto superficial o psicopata acaba coisificando as pessoas, ele as usa e quando não o servem mais, descarta-as, tal como uma coisa ou uma ferramenta usada. Talvez seja esse processo de coisificação a chave para compreendermos a absoluta falta de sentimentos do psicopata para com seus semelhantes e/ou para com os sentimentos de seu semelhante. Transformando seu semelhante numa coisa, ela deixa de ser seu semelhante.

2. – Mentiras sistemáticas e Comportamento fantasioso.
Embora qualquer pessoa possa mentir, temos de distinguir a mentira banal da mentira psicopática. O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho. Normalmente está tão treinado e habilitado a mentir que é difícil captar quando mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada.

O psicopata não mente circunstancialmente ou esporadicamente para conseguir safar-se de alguma situação. Ele sabe que está mentindo, não se importa, não tem vergonha ou arrependimento, nem sequer sente desprazer quando mente. E mente, muitas vezes, sem nenhuma justificativa ou motivo.

Normalmente o psicopata diz o que convém e o que se espera para aquela circunstância. Ele pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se arrependido, ofendido, magoado.

É comum que o psicopata priorize algumas fantasias sobre circunstâncias reais. Isso porque sua personalidade é narcisística: quer ser admirado, quer ser o mais rico, mais bonito, melhor vestido. Assim, ele tenta adaptar a realidade à sua imaginação, à seu personagem do momento, de acordo com a circunstância e com sua personalidade é narcisística. Esse indivíduo pode converter-se no personagem que sua imaginação cria como adequada para atuar no meio com sucesso, propondo a todos a sensação de que estão, de fato, em frente a um personagem verdadeiro.

3. – Ausência de Sentimentos Afetuosos. Essa pessoa não manifesta nenhuma inclinação ou sensibilidade por nada e mantém-se normalmente indiferentes aos sentimentos alheios. Os laços sentimentais habituais entre familiares não existem nos psicopatas. Além disso, eles têm grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros, mas, havendo interesse próprio, podem dissimular esses sentimentos socialmente desejáveis. Na realidade são pessoas extremamente frias, do ponto de vista emocional.

4. – Amoralidade.
Os psicopatas são portadores de grande insensibilidade moral, faltando-lhes totalmente juízo e consciência morais, bem como noção de ética.

5. – Impulsividade. Também por debilidade do Superego e por insensibilidade moral, o psicopata não tem freios eficientes à sua impulsividade. A ausência de sentimentos éticos e altruístas, unidos à falta de sentimentos morais, impulsiona o psicopata a cometer brutalidades, crueldades e crimes.
Essa impulsividade reflete também um baixo limiar de tolerância às frustrações, refletindo-se na desproporção entre os estímulos e as respostas, ou seja, respondendo de forma exagerada diante de estímulos mínimos e triviais. Por outro lado, os defeitos de caráter costumam fazer com que o psicopata demonstre uma absoluta falta de reação frente a estímulos importantes.

6. – Incorregibilidade. Dificilmente ou nunca o psicopata aceita os benefícios da reeducação, da advertência e da correção. Podem dissimular, durante algum tempo seu caráter torpe e anti-social, entretanto, na primeira oportunidade voltam à tona com as falcatruas de praxe.


CONCLUSÃO

Personalidade Psicopática e/ou Transtorno de Personalidade Narcisista Maligna, costumam ser perigosos, tendo em vista sua maneira dissimulada de ocultar a índole contraventora. A ausência de sentimentos éticos e altruístas, unidos à falta de sentimentos morais, impulsiona o psicopata e/ou narcisista maligno a cometer brutalidades, crueldades e crimes.