“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. Carlos Drummond de Andrade

O presente artigo aborda a felicidade compartilhada. A busca pela felicidade é um desejo comum a todos os seres humanos, em todos os tempos da história, portanto, cada um escolhe o estilo de vida que interpreta ser o mais adequado para alcançá-la.

DO PONTO VISTA FREUDIANO:

Sigmund Freud (1856-1939), em “O Mal Estar na Civilização”, afirma que o homem anseia pela felicidade e que esta advém da satisfação de prazeres. Essas buscas pelas coisas que nos fazem bem ocorrem pela satisfação (de uma manifestação imediata) de necessidades represadas em alto grau. Ganhar na loteria diverge, por exemplo, para um indivíduo endividado e um milionário. Na contramão disso, um indivíduo doente aspira por algo que um indivíduo saudável nem imagina.

DA FELICIDADE DO CONSUMO:

O ser humano anda em busca da felicidade compulsiva e individualista. Existe um delírio coletivo pelo poder de uma felicidade do consumo. Se o indivíduo precisa “vender à sua essência” para chegar à felicidade, ele não será feliz, pois ser feliz implica a essência humana. Precisamos compreender que ser feliz não é ter poder, dinheiro, prestígio, status – felicidade não é isso.

Na sociedade do consumo, o prazer é vendido sob rótulos: desejo àquela bolsa da grife tal, o carro X, morar no País Y, e, assim serei feliz, mas isso não é felicidade – isso é bem-estar e prazer. As pessoas confundem prazer com felicidade. O prazer é efêmero por natureza. Por mais intenso que seja o prazer, o prazer é limitado. O ser humano precisa compreender que o caminho para a felicidade é o autoconhecimento.

FELICIDADE DEPENDE DE CADA INDIVÍDUO:

O indivíduo é por vezes muito passivo – espera que o outro lhe dê a direção. Ser feliz não é esperar pelo o outro, porque isso implica em frustração. O mundo não nos dá tudo àquilo que desejamos. Se a espera pela felicidade está ligada ao comodismo e a passividade – esse será o caminho mais rápido para a angústia e infelicidade. Felicidade implica: agir, atuar, errar, acertar, escolher, correr riscos, tomar decisões e encontrar com a felicidade fortuitamente. Mas para isso acontecer implica responsabilidade. Pois se nossos desejos pautam nossas vidas, momentos bons e momentos ruins acontecem fortuitamente também.

Portanto, viver é encarar os obstáculos, o medo, as frustrações, as crises, que são inerentes à nossa evolução. Por mais abissal que nos pareça, faz parte da vida passar por esses momentos – isso implica a evolução humana.

São curiosas as “lições da vida”, porque, por mais que o indivíduo se recuse aprender as “lições da vida”, mais a vida retorna uma situação de aprendizado para sua evolução.

FUNCIONA NESSE RITMO:

– “Você ainda não entendeu a mensagem?”

– “Certo.”

– “Você receberá novamente uma oportunidade para que possa conectar-se com seu caminho.”

E para esses acontecimentos, não temos uma explicação científica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

O grande desafio é resgatar o autoamor e se apaixonar pelo que você é, pelas suas virtudes e pelas suas imperfeições também. É o autoconhecimento que nos capacidade colaborar com os indivíduos ao nosso redor. E quando se fala em colaboração não necessariamente falamos dos indivíduos ao nosso alcance: filhos, amigos, pai, mãe, irmãos, mas toda espécie humana. Independe de laços e ligação. A felicidade é poder se doar. Se não tivermos essa capacidade de colaboração e entendimento, a humanidade se extinguirá. “Felicidade compartilhada é felicidade redobrada.” Estamos todos interligamos e a humanidade depende de cada um de nós.